Transtorno Bipolar: o que é necessário saber?

Transtorno Bipolar: o que é necessário saber?

Mudanças de humor ocorrem em condições normais no cotidiano de todos nós, portanto é natural que todas as pessoas sintam raiva, ódio e outras emoções e sentimentos que dão sentido à nossa vida afetiva. Sendo assim, queixas ou sentimentos isolados de alegria, tristeza ou irritabilidade não são suficientes para fazer o diagnóstico de um problema psiquiátrico, porque essas manifestações afetivas tendem a ser de curta duração, não se sustentam ao longo do tempo e não causam problemas maiores na vida das pessoas; além disso, o indivíduo pode modular seu estado de humor, ou seja, sair, por exemplo, do estado basal de tristeza e ser capaz de sentir alegria.

Quando falamos em transtorno bipolar (TB), nos referimos a uma doença reconhecida há mais de 3 mil anos ao longo da história da medicina. Na doença bipolar, encontramos a presença de vários sintomas e sinais que compõem o chamado episódio depressivo ou maníaco/hipomaníaco. Além disso, os sintomas persistem durante a maior parte do tempo; duram pelo menos 15 dias, no caso do episódio depressivo, ou quatro, no caso do episódio maníaco/hipomaníaco; e causam sofrimento e prejuízo no funcionamento global habitual do paciente. Ademais, geralmente as mudanças de comportamento são notáveis, e as mudanças psicológicas comportamentais e físicas que ocorrem durante os episódios da doença podem deixar sequelas ou marcas importantes na vida do sujeito e dos seus familiares. O TB é uma doença que interfere muito na vida do paciente, da sua família e da sociedade, causando prejuízos geralmente irreparáveis na saúde, na reputação e nas finanças do indivíduo e/ou da família, além do sofrimento psicológico acarretado para todos os envolvidos. Também pode gerar conflitos nos relacionamentos familiares, sociais, conjugais, com amigos e no trabalho.

Características do Transtorno Bipolar

É uma doença médica séria.

Até o momento, não existe cura, sendo considerada uma enfermidade para a vida toda.

Quanto mais cedo for diagnosticada e tratada, melhor será sua evolução.

Considerando todos os tipos da doença bipolar, sua ocorrência é estimada em 8 a cada 100 indivíduos.

Costuma iniciar entre a adolescência e o começo da vida adulta.

Pode aparecer na infância, sendo que um terço dos pacientes desenvolverá a doença plenamente na adolescência, e mais de dois terços até os 19 anos de idade.

Raramente começa após os 50 anos, e, quando isso acontece, é importante investigar outras possíveis causas.

A doença manifesta-se igualmente em mulheres e homens, e familiares de pacientes têm maior risco de desenvolvê-la.

Sua principal causa é genética, e o que se herda é a predisposição para adoecer. Entretanto, fatores psicológicos, ambientais, sociais e físicos podem funcionar como gatilhos para sua manifestação.

A enfermidade é recorrente, e, em 90% dos casos, os episódios tendem a se repetir ao longo da vida.

A doença se manifesta por meio de mudanças psicológicas, físicas e comportamentais, que são diferentes da maneira habitual de o indivíduo ser e funcionar.

Quando não é tratada, a doença causa grande impacto, comprometendo a qualidade de vida do paciente, da família e dos amigos.

O tratamento adequado envolve o uso de medicamentos chamados de estabilizadores do humor e requer mudanças no estilo de vida do paciente, sendo fundamental a psicoeducação sobre a doença e seu tratamento para a família e o paciente; em alguns casos, a orientação psicológica se faz necessária com profissionais que conheçam a fundo a doença bipolar.

Todas as estratégias de tratamento devem ser gerenciadas pelo médico psiquiatra, que deverá conversar com os outros profissionais envolvidos, além da família, do empregador e dos amigos.

Embora não exista cura, com o tratamento adequado, a doença pode ser controlada, assim como acontece no diabetes, na hipertensão arterial e em outros problemas médicos crônicos. O paciente pode ter uma vida normal ou, no mínimo, muito próxima do seu normal.

Fonte: adaptado de Moreno et al., in Aprendendo a viver com o transtorno bipolar. Artmed, 2015