Neuropsicologia da esquizofrenia

Neuropsicologia da esquizofrenia

Stella M. Malta

A neuropsicologia pode ser definida como o estudo da relação entre o cérebro e o comportamento. É uma ciência recente, que só por volta dos anos de 1980 ampliou seu campo de atuação para incluir as doenças psiquiátricas. Apesar de os distúrbios cognitivos terem sido descritos desde o início da história da esquizofrenia, só agora os estudiosos dessa doença não têm mais dúvidas de que os problemas cognitivos são centrais no transtorno esquizofrênico, a ponto de serem caracterizados como sintomas dessa patologia.

O comprometimento cognitivo na esquizofrenia inclui problemas de atenção e concentração, memória e aprendizagem, linguagem e funções executivas (ou seja, ter vontade de fazer uma coisa, planejar como conseguir realizá-la, capacidade de resolver os problemas que vão surgindo, etc.), além de maior lentidão para realizar tarefas. O declínio nas habilidades cognitivas está presente na maioria dos portadores de esquizofrenia, mas também existem aqueles com funcionamento cognitivo normal. Esse declínio parece começar um pouco antes do início da doença e não piorar muito com o decorrer do tempo.

A importância do diagnóstico dos déficits cognitivos está relacionada ao fato de eles interferirem em várias áreas da vida do portador, tais como: em suas atividades da vida diária, no funcionamento social e ocupacional, na capacitação para o trabalho, nos relacionamentos interpessoais e até mesmo na adesão ao tratamento.

Com base nesses recentes conhecimentos, é cada vez mais frequente a avaliação neuropsicológica do indivíduo portador de esquizofrenia. Essa avaliação é realizada pela aplicação de testes neuropsicológicos, que avaliam o funcionamento cognitivo, ou seja, a atenção, a memória, a aprendizagem, as funções executivas, a linguagem, etc. Os objetivos dessa avaliação são verificar quais as habilidades e as dificuldades que essa pessoa apresenta e ajudar no planejamento de um projeto terapêutico específico para esse paciente. O projeto terapêutico se fundamenta na utilização das habilidades de que o portador dispõe e na descoberta de formas alternativas para compensar as dificuldades encontradas.

Outra forma de atuação da neuropsicologia é a reabilitação cognitiva, que é um tratamento com o objetivo de recuperar ou diminuir os déficits cognitivos e, consequentemente, reduzir a longa duração das consequências sociais e pessoais da doença.

A neuropsicologia é um dos mais recentes instrumentos no diagnóstico e no tratamento das pessoas com esquizofrenia que com certeza trará grandes benefícios na recuperação dessas pessoas.

Texto de Stella M. Malta – Neuropsicóloga.

Fonte: Assis, JC; Villares, CC; & Bressan, RA. (2013). Entre a razão e a ilusão: desmistificando a esquizofrenia. 2.ed. Porto Alegre: Artmed.