Conselhos para um bom uso das emoções

Conselhos para um bom uso das emoções

Monge Matthieu Ricard 

• Aguçar a atenção para tomar consciência das emoções negativas no momento exato em que surgem. É mais fácil apagar uma faísca do que um incêndio numa floresta.

• Aprender a conhecer melhor as emoções. Treinar para distinguir as que contribuem para o seu bem-estar e o bem-estar dos outros daquelas emoções que os prejudicam.

• Assim que as consequências nefastas das emoções negativas aparecerem claramente, familiarizar-se com seus antídotos, as emoções positivas.

• Cultivar as emoções positivas até que elas se unam a você.


Psiquiatra Christophe André 

• Diante das emoções, devemos amá-las todas. Todas as emoções são sinais das nossas necessidades. As emoções positivas nos dizem que nossas necessidades foram satisfeitas ou estão em vias de ser satisfeitas. As emoções negativas, que não foram satisfeitas. No que se refere às nossas necessidades fundamentais, é preciso ouvir e refletir para agir.

• Devemos cultivar as emoções agradáveis. Precisamos ter o cuidado de alimentá-las além de nossos automatismos e hábitos. Vários estudos mostram que experimentar duas vezes mais sensações agradáveis do que sensações desagradáveis representam um equilíbrio ótimo e realista (nem sempre podemos estar bem-humorados).

• Não podemos desanimar. Uma das grandes tarefas da nossa vida é trabalhar o equilíbrio emocional. E teremos regularmente recaídas, seremos de novo vítimas de raivas absurdas, de angústias inadaptadas, de tristezas exageradas. É preciso integrar desde o início esse percurso caracterizado por descontroles. É por isso que detesto provérbios como “O lobo perde o pelo, mas não perde o vício”, pois dizem que no fundo nunca conseguimos mudar. Estamos em aprendizagem, portanto devemos aceitar as “recaídas”. Neste caminho não existem atalhos. Mas sempre acabamos chegando, se continuarmos caminhando…


Filósofo Alexandre Jollien

• Praticar deixar que passe, desembaraçar-se. Deixar que passe. O zen nos convida a não considerar a emoção como uma adversária. A prática espiritual consiste então em não subir mais no trem das emoções perturbadoras, mas olhar os vagões passarem: “Olhe, esta é minha raiva”, “Olhe, este é meu medo”. Ousar não se fixar em nada permite atravessar as tempestades sem se machucar. Não é grave que a raiva, o medo ou a tristeza venham me visitar. Tomara que nunca se instalem no coração. Portanto, mil vezes por dia deixar que passem…

• Praticar. Aprender a nadar, a flutuar e ver passar suavemente as ondas requer tempo, muito tempo. É milímetro por milímetro que ocorre a paz. Daí a necessidade de praticar cotidianamente.

• Desobstruir o templo da nossa mente. Por muito tempo acreditei que a felicidade provinha da conquista. Hoje, acredito mais que se trata de nós desembaraçar. Em vez de acumular competências ou conhecimentos, tiremos aquilo que nos pesa: hábitos, reflexos, medos, avidez… A pepita da felicidade, a verdadeira alegria se encontra sob toneladas de lama. Portanto, vamos jogar fora o inútil e considerar os obstáculos da vida como meios hábeis para chegar lá.


fonte: o caminho da sabedoria: conversas entre um monge, um filósofo e um psiquiatra sobre a arte de viver. Editora Alaúde, 2016.